29 de ago de 2014

Sala de Milagres


Repouso meus pés cansados neste Solo Santo, Senhor.
Venho depositar mais uma relíquia.
Uma memória das mais profundas, das mais fortes, das que mais queimam.

Dentro do Santuário da minha Alma, há esta Sala de Milagres.
Deixo, delicadamente, mais este ex-voto.
Meu frágil coração de pedras e flores.
Não exatamente uma desobrigação, mas algo que necessita repouso.

Ainda que não exista santidade em mim ou em meus passos,
Ainda que sejamos tortos, cambaleantes,
como mariposas confusas com a luz e temerosas com a escuridão, 
Há o Divino também construído entre minhas sujidades.
Há Comunhão. 

Existe o fim, Senhor?
Tantos dizem que sim. Que o passado são águas que jamais retornam.
Se enganam, eu penso. Até mesmo águas passadas retornam, sob alguma forma.
Mas acredito mesmo que a existência é um livro escrito em tinta eterna.
Se muito, o que consegue-se é virar a página, jamais apagar qualquer coisa. 
A Alma tudo guarda, mesmo o que por tão pouco permanece em seus braços.

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