28 de abr de 2015

Tempos Inversos - Lançamento 05/05/2015


Olá, amigos.
Usarei algumas linhas para falar sobre meu novo livro de poemas: "Tempos Inversos".
Acredito que, de alguma forma, toda expressão artística, explicitamente ou implicitamente, documenta seu tempo. Por mais que através da arte possamos velejar pelas eras, pelas lembranças, pelos estados de espírito, pelo futuro, provavelmente, ao mesmo tempo, estamos narrando aquilo que nos acomete no instante da criação.
Apesar disso, "Tempos Inversos" não tem a intenção de narrar uma passagem de vida, ou apenas um estado de espírito.
"Tempos Inversos" é uma inquietação.
O livro retrata um momento em que o próprio tempo se confunde. Vive-se como que em uma realidade paralela, vendo tudo por um reflexo. Não é uma mentira e não é uma verdade.
Estão presentes ali a busca e a perda do amor, a busca e a perda do sentido, o olhar de frente para estas forças antagônicas.
Há a dor, incompreensível e indescritível, ao não mais vislumbrar um campo de sonhos, e há a inocência de voltar a sorrir com o sol poente, com o perfume da noite, com o abraço macio.
Suas páginas podem estar impregnadas do peso que é não sustentar mais a fé em algo verdadeiramente bom... mas são apenas tempos inversos, por um outro lado, o coração é mais forte e crente do que jamais fora um dia.

"Tempos Inversos" será lançado Online pelo Clube de Autores (www.clubedeautores.com.br), no dia 05/05/2015, editora com a qual já trabalho há 4 anos e que sempre ofereceu grande profissionalismo e qualidade.

Agradeço profundamente a presença dos leitores do meu blog "Aventuras Internas", e os convido para adquirirem este novo trabalho que foi feito com grande amor e dedicação em seus mínimos detalhes.
Meu muito obrigado!
A paz a todos!





Já disponível em: https://www.clubedeautores.com.br/book/186031--Tempos_Inversos#.VUhobo5Viko

10 de abr de 2015

Contrário


Me abandonei naquele dia,
Naquele ano passado,
Naquele início de inverno.
O que quer que houvesse de santo,
Puro,
Sagrado,
Deitou-se à lama, ao sangue fervente.
É muito adeus, meu Deus!
Muito adeus para mãos que sabem acariciar,
Mas não sabem dar despedida.

Tudo o que restou é o que não há.
É um rio calmo feito de silêncio,
O escuro amedrontador da mata fechada,
A fome, a sede, a ânsia.
Tudo o que restou é contrário a mim,
É o contrário de mim.
Um ator coadjuvante,
Um personagem sujo,
Desimportante,

Inconvincente. 

6 de abr de 2015

Pandemonium


Os pensamentos se digladiam.
O silêncio, sagrado, desvia de homens impuros como eu.
Os estrondos jorram dos desejos, das ânsias, das memórias;
Do sabor inigualável dos lábios, da pele quente, da penumbra.

Apenas há calmaria em meio ao absoluto caos.
Quando todos sentimentos e sentidos entram em êxtase,
E a profusão insana de corpos e almas supera a poderosa razão:
Há paz.

O espírito, uma fera faminta em noite tempestuosa,
Adormece enfim, saciado de suculentas quimeras.
Uma breve trégua na dura luta,
Uma brisa morna numa terra presa em constante inverno. 

Que há de real neste vale de enganos?
Será emitida algum dia uma voz celestial?
Bastam as migalhas de claridade
Para guiar o coração cansado de labirintos?

3 de abr de 2015

Dias de Paixão


Quem mais percebe o perfume triste que paira no ar?
Quem mais percebe que, embora seja uma tarde de céu sem nuvens,
Não há claridade.
Não há quem sorria na vazia cidade.

Bom Deus, o menino foi morto na cruz!
Bom Deus, o menino foi morto no morro!
E de que servem as lágrimas que secam
Antes de chegarem ao fim da face?

Eles falam de uma revolução se aproximando,
Mas não ouvimos nenhum sussurro.
Estamos mesmo lutando por algo
Ou apenas desejamos que alguém nos ame?

Bom Deus, os Dias de Paixão não se findarão?
Quantas mães ainda chorando sobre matéria inerte?
Onde estará a fonte de Água Pura?
Só bebemos de fontes contaminadas de indiferença.

Não há valas suficientes para tantos sonhos não sepultados,
Tantos sonhos assassinados antes de florescerem.
De que serve correr de um desespero para outro?
Mas ainda falam em uma revolução...

1 de abr de 2015

Cheiro de chuva


Quando olhei para as nuvens vermelhas
Paradas num céu doloridamente azul
Embaixo do velho ipê
Que em um dia de fevereiro
Uma tempestade partiu um galho
E o fez florir
Num tempo em que o amor ainda aquecia
Eu apenas desejei 
Naquele instante
Sentir o cheiro da chuva
E pedi a quem quer que estivesse além daquele céu
Que matasse meu coração de homem
E devolvesse meu coração de menino.

Porque um dia eu acreditei que o mundo era mágico
E por acreditar, ele era.
Um dia acreditei no fim da dor
E por acreditar, ela se findou.
Mas agora a súplica é pelo desacreditar, 
É pelo desconhecer.
A chuva que anseio não é a que vem do alto,
Mas a que escorrerá de dentro para fora de mim,
Eu quero o fim.
Quero tudo levado através das janelas da alma,
Para longe.
Até que apenas haja o nada,
E que do nada eu nasça outra vez.