29 de ago de 2016

LANÇAMENTO: Penumbra



"Penumbra" é o livro onde mais consegui libertar meu coração. 
Sem claridades que cegam, sem escuridões que tudo escondem.
É um sutil ponto de equilíbrio e sobriedade, onde cada sentimento, mesmo e principalmente os mais simples, são tratados com importância e delicadeza.
Estando distante do amor e do ódio, o que se encontrou foi a convergência de uma infinidade de outras sensações que até então eram reprimidas por essas duas forças. Chamaria de paz, por falta de melhor designação, mas não uma paz resignada, que tudo sofre e aceita, mas a paz de enfim enxergar nitidamente.
Em uma visão simbólica e otimista, a alma é criada na escuridão e caminha em direção à luz; o que estas páginas retratam é a fase atravessada entre estes dois pontos.

Disponível em: https://www.clubedeautores.com.br/book/216686--Penumbra





“Penumbra: fotografia” nasceu do processo de criação do meu décimo livro de poemas “Penumbra”. 
A música, o teatro, o cinema, a imagem; toda e qualquer manifestação artística, sempre me atingiu intensamente e serviu de inspiração, não só para minha escrita, mas para minha vida.
Longe de querer soar pretensioso, mas parafraseando Simone de Beauvoir, sempre senti a necessidade de transmitir o sabor da minha vida. Talvez não diretamente e principalmente aos outros, mas a mim mesmo. Um desejo forte de tornar “palpáveis” as sensações e sentimentos que absorvo.
Fiz meu melhor para expressar isso em meus trabalhos. 
“Penumbra” tem uma força especial sobre mim porque, ainda que a essência seja a mesma, talvez eu nunca tenha conseguido ser tão livre e entregue em algo que fiz antes.
Por esta razão o livro de poemas tem também sua versão fotográfica. Imagens que para mim ajudam a retratar as sensações que tive no decorrer do processo de criação. 
Não sou profissional da área fotográfica e não teria a arrogância de me apresentar como um fotógrafo, mas acredito que em tudo pode haver poesia, seja no corriqueiro dia a dia, seja através da criação das mãos e espírito de um artista. E de poesia continuo insistindo em falar, de alguma forma.
O que apresento aqui é a poesia que minhas palavras não puderam alcançar, mas meus olhos, sim. 

Disponível em: https://www.clubedeautores.com.br/book/216692--Penumbra#.V8TvsFQrIdU



20 de ago de 2016

SP


Foi há dois anos, mas também foi ontem.
O sentimento crepita como uma fogueira eterna, inexaurível.
Luzes, automóveis, chuvas, penumbra. Eu, ali.
Ali onde um dia eu tinha a vida por entre os dedos,
E eu sabia para onde guiá-la;
Ali onde eu tinha você por entre os braços.
E sabia onde pousar o espírito,
Quisera, para sempre.

Naquela maldita cidade sagrada,
Abarrotada de tristezas imensuráveis e alegrias indescritíveis,
Eu era só mais outro apátrida perdido por ruas infinitas,
Por memórias que nunca se extinguem por completo.
A qualquer alguém confiei o segredo:
“Aqui jaz meu maior e único amor.”
E continuei com passos firmes, sem saber para onde ia.
Nenhum consolo seria válido.

Ao partir, deixei duas lágrimas.
Uma amarga e fria, porque todas as luzes partiram
E eu estava me comprazendo na escuridão.
Outra leve e doce, porque eu vislumbro uma centelha pequena,
Raquítica, dentro do um coração que bate aos solavancos.
Um dia toda aquela selva de concreto e vidro poderia ser um lar,
Meu lar. Nosso lar.
Mas hoje é um cemitério imenso de frágeis memórias
De onde eu tento partir de tudo que partiu de mim.

16 de ago de 2016

"Havoc"



Sempre que eu pouso os olhos cerrados
Numa paz quase invejável;
Sempre que eu digo que estou forte o bastante
Para simplesmente não ter mais fé;

Você é o fantasma no quarto.
Você me arrasta para as memórias
Feitas de açúcar que construímos.
Mas agora está sempre chovendo...

Eu estou todo encharcado de coisas mortas e brilhantes.
Em algum lugar, de alguma forma você está vivo,
Mas também está morto;
Essa maldita ironia dos eternos finais.

Nesta noite, eu amo de novo.
Sou humano de novo e tenho saudade mais uma vez.
Mas junto do sol amanhã, com as ruas secas,
Nascerá a realidade, você será novamente apenas uma mentira.

‪#‎penumbra‬

13 de ago de 2016

PENUMBRA


"Penumbra" é o livro onde mais consegui libertar meu coração. 
Sem claridades que cegam, sem escuridões que tudo escondem.
É um sutil ponto de equilíbrio e sobriedade, onde cada sentimento, mesmo e principalmente os mais simples, são tratados com importância e delicadeza. 
Estando distante do amor e do ódio, o que se encontrou foi a convergência de uma infinidade de outras sensações que até então eram reprimidas por essas duas forças. Chamaria de paz, por falta de melhor designação, mas não uma paz resignada, que tudo sofre e aceita, mas a paz de enfim enxergar nitidamente.
Em uma visão simbólica e otimista, a alma é criada na escuridão e caminha em direção à luz; o que estas páginas retratam é a fase atravessada entre estes dois pontos.

Em breve.

12 de ago de 2016

Golpe


Ainda que uma suja nuvem marrom paire sobre a cidade,
Não terei o triste destino de viver de memórias.
Como um cão faminto,
Vagando por ruas sujas e úmidas,
Se alimentando de restos já apodrecidos.

Ainda que céu permaneça por trás tão azul
E eu ouça o canto feliz de pássaros livres,
Eu não sorrirei para a esperança.
Não aceitarei seus braços estendidos, 
Se são como luzes artificiais, frias.

Quero me juntar aos desgraçados, aos pequenos,
E entre lágrimas e suor gritar,
Gritar até que as palavras tenham a força dos martelos e das foices,
Para salvar, para consolar.
Eu quero de volta a vida que nos tiram aos poucos.

Suas faces decrépitas, inumanas, 
Assombram nossos sonhos mais que os demônios da infância.
Temos medo e exaustão.
Mas quem nos vê ainda de pé, nos admiraria.
Ninguém imagina a força de quem já não tem o que perder.

11 de ago de 2016

O tempo passa lento


Que tenho a dizer que não saiba, que não sinta?
Se te serve, o céu é azul hoje, como foi ontem.
O clima é ameno e a luz de agosto torna bonita a cidade.
As crianças correm acreditando na liberdade, como deve ser.
As árvores parecem dormir embaladas pela brisa.
Não muito longe, os ratos tomam o poder,
Enquanto os desesperados tomam as ruas.
São tempos sombrios, mas de esperança,
O que me parece estranho.
Os poetas marcam o tempo com as batidas do coração,
E o tempo passa bem lento...
Talvez a poesia seja também isso:
A repetição do banal até se tornar sagrado.
Todos parecem cansados,
E todos estão.
Mas seguem lutando, 
Mesmo com passados e futuros tão densos no caminho.
Às vezes me parece que nem tudo é uma mentira
E eu sorrio tentando fazer uma oração sem palavras.
Ora sim, ora não, sinto fé...
Hoje ela tem cheiro de jasmins.

7 de ago de 2016

Engrenagem


Desperte. Suspire. Caminhe. Bom dia. Café. Tudo bem?
E o fim de semana? Sabe como é, descansei.
As coisas andam paradas. E o coração.
Anda parando também.
Horário. Chefe olhando o relógio. Fim do café.
Meu Deus, deve ser bonito algum lugar longe daqui.
Ele não respondeu. Deve estar ocupado.
Família. Obrigação. Protocolo. Rotina.
Devia ter dormido mais cedo. O dia não parece longo demais?
Luz artificial. Prateleiras cheias. Mentes vazias.
Comer. Rezar. Amar. Parece mentira. Vai que não é.
Acredita em carma?
Metade do mundo vai pro inferno pros hindus.
Pros católicos. Pros protestantes.
Haja inferno. O paraíso deve ser um tédio.
Não sente vontade de fugir antes que seja tarde?
De sair gritando socorro nas ruas?
Nem dá. Polícia. Opressão.
Puta burocracia pra alimentar os porcos gordos.
A gente se vira como pode.
Viu o preço do feijão? Quem ainda escreve poesias de amor?
Quem ainda as recebe?
Ingratidão. As pessoas dão é medo.
Está todo mundo perdido mesmo.
Nunca pensei que o fim dos tempos seria tão longo.
Mas ainda sorriem. Alguém deve ter esperança.
Eu te amo.
Estamos atrasados.

#penumbra

Minh'alma


Eis esta alma, Senhor.
Minh’alma.
Que mãos bondosas teriam a misericórdia
De a elas se estenderem?

Que olhos teriam clemência
Ao sondar cada um dos tantos pecados,
Das tantas máculas, dos tantos medos?

Quem seria indulgente em advogar por um ser pífio?
Por um destino adornado de falsas glórias,
De mentirosos amores,
De medos colossais?

Mas mesmo encarando meus demônios nos olhos,
Ouvindo calado suas justas acusações,
Eu volto meu coração à luz celestial.
No âmago, ainda adormece imaculável divindade.

#penumbra

6 de ago de 2016

A besta interior


Toda angelitude é pérfida.
Uma galáxia toda de luzes
Consumidas por uma massa escura,
Uma cratera negra incompreensível.

Não há uma luta entre anjos e demônios,
Pois não resta algum anjo.
O espírito primitivo e insano
É uma besta selvagem.

Mas não é livre.
A imundície esbarra na epiderme,
Não passa.
Devora-me por dentro como um verme odioso.

Oh deuses, oh puros!
Vejo o asco em vossos olhos ao me fitarem.
Como ainda ofertar misericórdia

A este que é tão mais carne que espírito?

5 de ago de 2016

À tona


Nas profundezas jazem passados mórbidos.
Escombros oníricos, desilusões aos restos, lixos sentimentais.
Nas profundezas faz escuro e frio,
O silêncio tudo envolve com sufocante abraço.

Tanta pressão esmaga velhas e doces esperanças,
Em nada remetem seus tempos de glória.
Porém, da superfície feixes luminosos ainda descem
Entoando suaves canções.

Eu quero emergir.
Quero degustar os lábios que chamam meu nome,
Lábios que exalam calor.
Quero flutuar à tona por ondas calmas.

Distante, num horizonte de ouro e rosas, um anjo sorri.
Se Deus existe, ele deve mesmo ser bom...
Por essas vezes que a vida de momento em momento
Muda das trevas para luzes magnânimas.

Se tanto clamo é pela impureza do espírito,
Ainda ébrio e faminto.
Mas sagrado,
Pois em seu âmago nada existe além do amor.

4 de ago de 2016

Sê como agosto


Banha-me de tuas tempestades e alvoreceres
Acolha meu corpo exitante, minha alma exausta, minha mente em ebulição.
Envolva-me com silêncios e bondades.

Acompanha comigo a derrota do inverno.
Veja como os lábios do sol prometem uma primavera calma e clemente.
Olha-me sem medo, toma-me sem pudor.

Pois minhas ânsias são por tua alma, não por teu corpo.
Sê como agosto, onírica criatura, bailante quimera.
Adornada de florescentes sonhos e reluzentes memórias.

Há pouco, era o fim.
Mas não houve outros prantos, nenhuma saudade.
Apenas minhas lágrimas levaram as mortas flores dos ipês.

Minha alma, feito fragmentos,
Agora veleja suave por ares e mares.
Perdida em seus devaneios inocentes... distante.

Não há pouso, talvez. Remição.
Mas ainda é quente e vibrante,
Ansiosa pelo sorriso que se fez belo e morno como um lar.

Meus livros à venda

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Incentive a poesia a resistir! :)