19 de mai de 2012

O perfume do Meu Reino


Se fizer silêncio, já está bom.
Se não houver barulhos nas madrugadas; se os homens, mulheres e crianças não gritarem; se os cachorros não latirem muito e os gatos não brigarem em cima dos muros, já está bom.
Porque a gente cresce e o coração vai diminuindo de tamanho, consequentemente nossas necessidades e exigências também, consequentemente nosso brilho no olhar também.
Antes, a gente exige, depois a gente quer, depois a gente espera, depois a gente não espera mais, só sente falta, no final, nem falta a gente sente. É até bom, se isso não nos tornasse pedras, porque a dor vai diminuindo com o tempo, com a claridade.
Mas preciso dizer, que num dia desses, voltando pelas ruas repletas de ipês que já começam a dar boas vindas ao inverno com sua flores rosadas, eu senti aquele perfume. 
Sim! 
Aquele perfume de que nunca falei, de que ninguém sabe, de que ninguém sente. 
Era o cheiro do Meu Reino. 
Meu Reino que já não me recordo mais como era, pois deve ter morrido junto da infância, mas era o cheiro dele, eu sei que era. 
Meu Reino repleto de flores e heróis e levezas. Meu Reino onde minhas lutas eram dignas e felizes, onde os sorrisos e as almas eram de uma profundidade que não sei como expressar. 
O que posso dizer é que esse Reino é bem diferente de tudo aqui. Lá, eu mesmo sou outro. Lá sou puro, intenso, livre, feliz. Lá sou príncipe. Mas não como os príncipes daqui, que reinam sobre os outros, lá sou príncipe sobre mim mesmo. Minhas atitudes são nobres, meus sonhos são nobres, meus desejos são nobres.
Mas o perfume não durou tanto para que eu me recorde de mais coisas, passou rápido como sempre. Nem me lembro qual foi a vez antes desta que o senti. Sei que foi há tanto... Por isso temo e sofro em dizer: cada vez mais raro será, cada vez mais ralo, escasso.
Eu não queria isso.
Eu não queria esse mundo e as necessidades que ele me obriga a ter, as genuinamente minhas são tão mais significativas, tão mais profundas.
E meus heróis? Não há um cuja face permaneça intacta em minha mente. Não há um cuja espada ainda reflita luz nos meus olhos. 
Sinto saudades...

13 de mai de 2012

Mais de mil palavras... e adeus


Bem, às vezes nos surpreendemos desistindo de coisas que pensávamos que nunca viveríamos sem, e também, às vezes nos vemos diante de milagres que não julgávamos possíveis.
Nunca pensei que conseguiria mesmo lançar um livro; esse sonho acalentado por anos e anos, cadernos e mais cadernos de rascunhos. Enfim, em 2010 tomei força e consegui lançar "Em meu Jardim Secreto...". Deus sabe quais foram as dificuldades e alegrias relacionadas a esse projeto. Ele me fez sentir vivo, e sou muito grato a tudo e a todos que ele envolveu. Pouco mais de um ano depois nasceu "Alma à tona", com a mesma importância. "Alma à tona" é mais centrado, direto e simples, mais maduro até eu diria. Esses dois trabalhos são como filhos pra mim, não perfeitos, mas muito amados.
Enfim, agora anuncio meu terceiro trabalho, que na verdade era a minha ideia inicial em se tratando de poesia. Eu sempre gostei e precisei me expressar através da fotografia, era como dar forma física a determinados sentimentos. Então minha primeira ideia sempre foi lançar um livro de poesias com uma fotografia que correspondesse a cada uma, mas como esse projeto extrapolaria muito o valor de um livro convencional, decidi engavetá-lo na mente e deixar para um "depois, quem sabe". Na semana passada, essa ideia resolveu tomar sol. Ela começou a crescer, crescer até que, em menos de uma semana eu estava com tudo pronto para um novo livro, bem mais modesto, claro, mas não menos importante. O livro de chama "Mais de mil palavras: a poesia da imagem" e tem 40 páginas entre poesias e fotografias que fiz em diferentes épocas. Depois que terminei esse projeto e coloquei à venda no site (http://www.clubedeautores.com.br/book/128722--Mais_de_mil_palavras), não senti o vazio costumeiro ou "depressão pós parto" como costumo brincar. Senti que havia completado uma fase. Fiz o que sinto que poderia ter feito na poesia. Por isso esse trabalho foi como um epílogo de uma longa aventura. Não sei se conseguirei continuar escrevendo, confesso que a realidade me abraçou de uma tal forma que já não sou tão sensível a certas coisas como já fui. Espero, sinceramente, que um dia isso passe, e eu possa novamente ser tão aberto quanto fui.
"Mais de mil palavras" é então meu "adeus", ou meu" até algum dia", nesse sentido.
Espero que ele "cresça" e toque as pessoas que o desejarem.
Abraços