2 de dez de 2016

Pintura


Como o pintor
Moendo suas pedras e ervas
Extraindo a vida e a cor
Da matéria morta
Para dar luz e preciosidade
Às infinitas belezas banais
Macero memórias e quimeras
Para extrair palavras
Que em versos dão formas eternas
Às sinestesias da alma.

Mas ao fim
Os sentimentos
Pincelados na tela fria
Pouco observados
Nada compreendidos
Repousam apagados
Em um leito de esquecimento
Distantes do calor
E da esperança
Incapazes de nutrir
O sangue de novos sonhos.


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