12 de ago de 2014

Gravidade


Que são os estrondos que ameaçam de fora?
Nada.
É aqui dentro que se faz o pandemônio, 
a corda bamba, 
a beira do abismo que não vejo a fundura.

Flutuo,
como o trapezista que salta de uma barra para a outra,
mas a outra barra não chega, não chega,
e também não chega a queda fatal.
Paralisado, impotente.
O chão é a realidade, a outra barra, o sonho.
Um segundo eterno de distância é a separação.

Eu,
Um corpo qualquer orbitando Sol distante,
Um corpo frio.
Se com vida, novamente desconhecida. 

Essa sensação persegue,
há dias - acordado ou entorpecido -
mais que os tigres, mais que os soldados, mais que os fantasmas:
Esse vácuo.

Uma parte do peito tirada, músculos e ossos levados,
Coração à mostra,
Pulsando, pulsando, pulsando...
Sentindo os ventos frios como açoites. 

Sim, é por conta do adeus.
Ou adeuses.
Nada nem ninguém parte sozinho, sem levar muito consigo.
Permaneço medindo os estragos, calculando as faltas, registrando ausências.
Mas não quero o nome dos culpados.
Não por o meu, certamente, estar entre o deles,
Mas por não querer na mente companhia desafetuosa,
além da minha.

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