29 de mar de 2016

Outrora: santuário

Atrás da velha igrejinha fiz meu santuário. Ali ninguém ia, era meu pedaço particular de mundo. Havia uma jovem, mas já grande mangueira, pés de café quase sempre florindo, ao lado de um pequeno pedaço de chão cimentado. Ali eu guardava minhas relíquias tão sagradas, pedras com poderes variados, varinhas mágicas, cajados de defesa, objetos de proteção...
Na parede, rabiscava meu nome com letras tortas, desenhava símbolos inventados, pendurava poções.
No meu abrigo, nada de ruim podia entrar, era muito bem protegido pelas forças
da  natureza, círculos mágicos e guardiões invisíveis.
A jovem mangueira era o alto da torre do meu santuário. Dali podia ver todo o reino, as terras felizes e as terras proibidas.
Talvez eu já soubesse de algumas verdades da vida... mas eram anos encantados, nada era mais forte do que aquilo que eu conseguia imaginar ser real.

Ainda não é.

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