29 de mar de 2016

Outrora: Aleluias


Nas noites após a chuva e durante a lua cheia, as aleluias tomavam contas do ar, como pequenas fadas perdidas em uma terra desconhecida. Giravam em torno das luzes, feito nuvens douradas, leves como o ar.
Talvez viessem do outro mundo para também sentir o sabor da noite.
Eu fechava os olhos e ouvia a aquele bater de centenas de asinhas, sentia o perfume da noite de ar tão puro, tão limpo, e o silêncio se fazia em uma canção que só eu podia entender.
Hoje, andando pelas ruas vazias, fechando os olhos e deixando os passos serem guiados apenas pelo coração, eu tenho a certeza que aqueles eram tempos não apenas mágicos, mas santos. Tempos em que tudo cumpria um papel sublime de fazer da Terra um pouco do paraíso.

E a Terra era. Realmente era.

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