26 de jun de 2015

Sôfrego


E aquele doce, sutil adeus, ainda sussurra em minha mente
Palavra frias como o fio de uma navalha esquecida na neve.
Ainda olho para o amor, o inexistente, e vejo as mesmas antigas formas,
quando era primavera, quando era vivo, e o sol persistia.

Ainda olho para o corpo petrificado de um história incompreensível.
Que dor ainda falta sentir?
Que músculo ainda falta tremer?
Por que depositamos flores em lápides onde não habita nada vivo?

As lembranças cantam como assombrações,
E quem vê meu sorriso, não sabe o que ouço.
Não sabe que meu corpo e espírito ínfimos
Represam sentimentos imensuráveis.

Nenhuma paixão resistiu ao silêncio firme, duro, persistente.
O inacreditável e indiferente silêncio, substituto eterno do fulgor e consolo.
O coração bate estilhaçado, mas sôfrego,
Lutando pelo que se assemelha à uma vida, mas já não é.


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