23 de fev de 2016

Blackout


Em poucas tardes vira a luz assim, tão macia e triste.
Uma saudade peculiar abraça o peito.
A canção não cessa, não silencia...
Seria isso a esperança, uma saudade do futuro
No dias que são belos?

O menino de olhos de esmeralda me faz sorrir.
Me olha com uma admiração que não mereço.
Se alguém soubesse do medo que há em mim...
Ele fala de suas histórias fantásticas com olhos brilhantes,
Quer deixar no papel suas aventuras...
Falar de lugares mágicos e homens bravos.
A realidade é uma aventura mais perigosa e exige batalhas mais duras,
Penso em dizer.
Mas ele não entenderia, nem eu ainda entendo...
Tudo pode ser tão árido.

A tarde parte quando a chuva desce negra.
As luzes vêm e vão.
Tudo está em silêncio.
Meu coração se lembra de ter visto um pedaço de arco-íris,
Lembra de um tempo que foi quase leve,
E eu acreditava poder decidir qual caminho seguir.
Meus olhos marejam
Diante do horror e da beleza que compões a vida.

Me pergunto como seria ser livre como as nuvens,
Como seria viver a única coisa na qual ainda acredito,
Mesmo depois de tudo...
Mesmo depois da claridade magnânima e da escuridão absoluta.
Mesmo depois das milhares de palavras despejadas ao vento.
Pergunto como seria ainda poder ver o mundo pelos olhos de menino,
E sonhar que resta uma chance, uma chance definitiva
De não ser eternamente sozinho.

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