16 de fev de 2014

Quero ser


Quero te por sob meus braços.
Eu, sempre viajante de mares tempestuosos, sempre à procura de abrigo,
Quero, enfim, ser porto.

Caminhou até agora sozinho por entre tempestades,
Imagino tuas lágrimas, imagino teu cansaço, imagino tua dor.
Quero ser a casinha humilde da colina, quero ser alimento, quero ser repouso...

Os dias passam, as feras rugem, mais e mais.
O sol maltrata a delicadeza das flores.
Quero ser o jardineiro de teu jardim, por perfumes à tua janela.

Há nestes olhos, belos como a profusão de céu e mar,
Um rio de tristezas.
Eu observo, tentando retirar, gota a gota, cada resquício de fel.

Em meio às batalhas, plantaremos jasmins e orquídeas.
Em meio aos amargores alheiros, saborearemos doces frutos.
Em meio à condenação pelos falsos santos, amaremos.

Minha mão não se estenderia se não fosse de toda vontade.
Meu coração não se abriria, se não fosse totalmente.
Minha alma não amaria, se não fosse completa e plenamente.

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