17 de fev de 2014

Anatomia sentimental


Lembro das tuas palavras, 
Não apenas do que elas diziam,
Mas como escorriam dos seus lábios,
Como eram despejadas no ar,
Como a chuva mansa após longa estiagem,
gentilmente...

Lembro do teu sorriso,
Sutil e tímido,
Como toda perfeição.
Ele projeta uma luz adiante, 
como um farol.
E eu, eu sou o barqueiro perdido em noite tempestuosa,
vislumbrando distante e vital claridade.

Lembro dos teus lábios,
Uma delicada escultura angelical.
Cada traço tão bem delineado,
Como um diamante esculpido
pelas mãos Divinas.

Lembro do teu peito,
Do som único do teu coração,
Que eu distinguiria de mil outros.
E das tuas mãos, firmes, alvas, acolhedoras.
E de tudo, intensamente,
como se ao alcance das mãos estivesse.

E acima de tudo,
Lembro da anatomia da tua alma.
Nobre, reluzente, como o sol que se esgueirava por entre nuvens.
E olho para minhas mãos; tão simples e ásperas mãos,
Questionando se há nelas dignidade suficiente para acariciar-lhe a pele de veludo...
A pele que me cobriu e aconchegou como um cobertor no árido inverno.
Mas olho minhas mãos e sinto que há nelas também calor e vida.
E com estas mãos, simplórias e fracas mãos, ouso aquecer os pontos frios do teu espírito.


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