23 de jun de 2016

É sempre inverno


Partem por fim os belíssimos velhos fantasmas.
Nada mais brilha onde o calor de suas auras incendiadas reinava.
É agora inverno. É sempre inverno.
Outra vez os ipês... Outra vez o coração gélido.

Recolho cada demônio liberto após a morte do Amor.
Tantos instintos sujos, selvagens,
Correndo livres à beira de abismos.
Não mais... Não mais!

Repousarão carne, desejo e espírito
Em um lençol fino de memórias ressequidas.
Mergulharão em um sono profundo,
De sonhos inocentes, quase felizes.

Por um instante, talvez, nenhuma ânsia, nenhuma dor.
Apenas mais palavras sem força, sem poder.
Escorrendo mornas, como um rio raso,
Em direção ao oceano que nunca atingirão.

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