9 de mar de 2015

Noite clara


Todas as estrelas se foram.
No céu plúmbeo posso ver as pesadas nuvens 
Formando paredões displicentes.

Todas as estrelas se foram.
Se foram do céu para dentro de mim,
Partículas de luz perdidas em imensas escuridões.

Aqui dentro ninguém as contempla.
Meus olhos opacos não denunciam seu brilho,
E aquilo para que vivo já não existe.

As vozes dos heróis continuam a sustentar,
Como profundas raízes.
Porém ainda temo a força das tempestades.

Não há o que me fará deixar de ser noite,
Nem a bondade dos anjos, nem o resquício de fé no amor.
Em minhas veias as trevas fluem.

Mas se de mim jamais será emitida uma luz do dia,
Emanarei as sutis poesias que nascem ao luar.
Talvez a noite seja eterna, que então seja clara. 



Nenhum comentário:

Postar um comentário