6 de mar de 2015

Descomunhão



Foram ditas em bom som as verdades inaudíveis.
Inaudíveis porque o espírito, entorpecido pelo cântico das ânsias, 
Prefere banhar-se em chamas falsas. 
Chamas que queimam sem aquecer. 

Mas após as erupções há certa calmaria.
Embora a brisa ainda traga delicadamente canções distantes,
Já não sorrio.
O espírito demorará a ser desperto, mas seu sono é leve, enfim. 

Não só a boa audição se fazia comprometida,
Mas todos os sentidos.
Olhos famintos, mãos ávidas, boca ansiosa...
Coração crente.

Há erro na carne que se mostra?
Há impureza na excitação dos músculos?
No arrepio, na lágrima?
Não há... Nada há.

É o que dói: a descomunhão.
A falta do sagrado mesmo no ardor das tentações.
Almas desconectadas, mesmo que os corpos se façam colados.
É o que dói: a efemeridade. 




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