28 de dez de 2013

"Processo ex-tático"


Deitei-me naquele véu pálido de luar,
E nos meus silêncios tão inquietos gritava por socorro.
Mas nada doía, nada queimava,
E era esta a dor mais insana, a chama mais faminta:
O não doer, o não queimar.

Deite-me no véu pálido do luar
Porque qualquer braço, qualquer ombro, qualquer peito
Se fazia distante demais.
Tão distante quanto o luar sobre a terra úmida 
É do seu foco de nascimento. 

Deitei e adormeci.
Os sonhos, cavalgantes, não demoraram.
Em instantes, mais heróis, monstros, asas e correntes
Que se possa contar!
Minha alma deleitando-se de suas quimeras...

Desperto, o silêncio.
Mas chegou a chuva; caindo melodiosa como boa música 
Sobre este telhado que não abriga mais meu verdadeiro lar.
Havia o cheiro e a saudade de um futuro desconhecido, aguardado.
Havia a mim, incompleto e lento, mas vivo.

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