2 de ago de 2015

Ao gosto


O vento pesado e sem vida de agosto já sopra.
A estiagem. O adeus. A indiferença;
Coisas que chovem num dia de sol displicente,
Num dia de amor indiferente.

Ao gosto das brisas, das horas, dos sentimentos
Velejo sem avistar porto;
Já percebendo que não há porto, nem mar,
Mas apenas solo abaixo de mim.

E eu observo o azul infinito que nunca tocarei,
Nunca mais.
O azul distante, silencioso, frio...
Não sei o porquê da insistência deste olhar.

As mãos são frias, a luz é artificial, os lábios são secos
E as palavras faltam;
Ou sobram.
Faltam para descrever o que ninguém entenderia,
Sobram na tentativa de auto-salvação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário