Aos poucos
Entre risos e amores
Se despede
Sem perceber
o mais antigo e sábio dos Serafins.
Vislumbrado os primeiros e os últimos anjos que já partiram
Nós choramos
O céu sorri
Mas então chove
Como se o paraíso se compadecesse da nossa dor
Uma chuva mansa, fininha
Que devolve a vida aos campos e faz germinar a sementes
A vida segue seu ciclo magnífico que tão pouco entendemos
Os olhos marejados turvam o vislumbrar dessa paisagem
E mal se vê que já se achega a saudade
Essa forma persistente do amor
E eu penso que
Ao contrário do que disse o poeta
Talvez não tenhamos braços longos para os adeuses
Mas sim para os abraços
O abraço que recebe aquele que chega ao mundo
O abraço que envolve aquele que parte dele
E tanto dói, como não?
Tão pouco sabemos do que há além da carne
Mas é uma dor
Talvez
Com algo de beleza
Pois apenas sofre
Quem muito ama.

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