23 de jun. de 2026

Serafim.



Aos poucos

Entre risos e amores

Se despede

Sem perceber

o mais antigo e sábio dos Serafins.

Vislumbrado os primeiros e os últimos anjos que já partiram

Nós choramos

O céu sorri 

Mas então chove

Como se o paraíso se compadecesse da nossa dor

Uma chuva mansa, fininha 

Que devolve a vida aos campos e faz germinar a sementes 

A vida segue seu ciclo magnífico que tão pouco entendemos 

Os olhos marejados turvam o vislumbrar dessa paisagem 

E mal se vê que já se achega a saudade 

Essa forma persistente do amor

E eu penso que 

Ao contrário do que disse o poeta 

Talvez não tenhamos braços longos para os adeuses 

Mas sim para os abraços 

O abraço que recebe aquele que chega ao mundo 

O abraço que envolve aquele que parte dele

E tanto dói, como não? 

Tão pouco sabemos do que há além da carne 

Mas é uma dor

Talvez

Com algo de beleza 

Pois apenas sofre

Quem muito ama.

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