Em algumas noites,
Nos sonhos,
É como se você nunca houvesse existido.
Há uma proteção tão forte e bonita;
Mãos firmes segurando as minhas
Guiando-me pelo caminho.
Enquanto em outras noites,
Tudo o que existe são suas sombras
Que contaminam tudo o que tenta florescer no jardim.
E eu me lembro com amargura
Que corpo que você possuiu
Abrigava uma alma que foi violada para sempre.
Mas há uma janela
Por onde eu observo tudo o que é belo.
Uma janela,
Gradeada como uma prisão,
Por onde eu observo sonhos tão cintilantes.
Há essa janela...
Que me mantém seguro
E distante da vida.
Estou nessa jaula desde aquele dia,
Desde aquele dia em que não pude mais ser um menino.
Ainda assim,
Eu tento adornar as paredes dessa prisão com poemas e canções,
Tento regar a primavera através da janela para que no inverno ela floresça;
Ainda assim,
Por muitas vezes,
Eu consigo preencher esse cárcere de Luz.

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