12 de abr. de 2026

Outra vez

 


Você vai começar de novo
Não recomeçar 
Emendando fios partidos de uma tapeçaria já puída pelo tempo e pela realidade 
Mas começar de novo 
Um primeiro passo 
Um primeiro sorriso 
Porque
Como disse o sábio 
Mesmo acordando na mesma cama
No mesmo quarto 
Na mesma vida 
Ninguém está hoje no mesmo lugar do universo que esteve ontem 
A vida é esse movimento incalculável e ininterrupto
De fato 
Vai ainda alcançar o mar antes do quadragésimo outono 
Vai ainda fechar os olhos para que a lágrima escorra livre diante de uma nova canção
Vai ainda semear e ver florir 
Vai ainda amar 
Talvez não algo ou alguém 
Mas o sentir 
E não como antes 
Mas como uma primeira vez 
Outra vez.

16 de fev. de 2026



Os fins das tardes exalam forte perfume de laranjeiras em flor. 

E é como que se o perfume, a luz, uma melodia antiga, se fundissem 

Formando algo sem explicação 

Mas bonito 

Talvez a paz agora seja algo próximo a isso 

Onde já não se sonha, mas às vezes ainda se sente 

Onde se planta flores ao invés de enxugar o pranto do mundo 

Então volto a caminhar por velhos caminhos Que aos poucos também envelhecem solitariamente 

Talvez em busca de respostas, ou de silêncio, ou de redenção 

Só que eu só consigo observar maravilhado o imenso céu que começa a se pontilhar de estrelas acima de mim 

E por ora 

Isso será o bastante.