Da canção triste que nunca deixa de tocar
Havia você
Havia a rua de cores intensas
E a chuva que voltava a cair
Como que para fazer reflorir
Um mundo já quase sem beleza
Sua pele brilhava
Feito as últimas luzes do sol poente de inverno
E de seus lábios escorriam mel e vida
Sabores extintos
Sabores nunca mais sentidos
O sorriso então
Vasto, suave e rápido
Como o desabrochar dos ipês brancos
E sua imagem, por fim
Derretendo às primeiras fagulhas de realidade
Sumindo da memória, da prece
Do coração que já quase não sonha.
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