1 de out de 2014

"...uma tarde no seu jardim."


Que dolorosa foi a vertigem!
Que cruel foi a ausência de ar!
Enfim, à tona, após mergulho terrivelmente escuro.
Como é saboroso respirar!
Como fez falta!

Ainda que por instante, evapora a aspereza do mundo.
Se quer algo de mim, é do que há em mim, apenas.
Se me vê, vê o que existe, sem rebuscada moldura,
que de fato não tenho,
que de fato não quero.

Enquanto flutuo ao lado do bosque no fim da rua,
o que vejo atrás é apenas o sol poente,
enquanto imagino as mãos que deram vida àquelas árvores,
tão verdes e perfumadas agora, 
após as chuvas de primavera.

E é este o tutano da vida!
É este seu gosto mais doce...
Leve, descomplexo. 
Feito as flores em que um dia pousará os olhos,
negros e cintilantes, como as noites de outubro.

Delicia-me o infinito da existência que reside nas miudezas.
Como pude ser levado a pensar que não?
Que já não há aqui uma fração de paraíso?
Quando nós mesmos somos uma fração dele...
Quando nós, reunidos, somos sua totalidade.

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