23 de jun de 2014

Correr


Se eu pudesse aproveitar as ruas vazias,
os corações vazios;
Aproveitar que todos mudaram de dimensão,
aproveitar que os olhos cegos ainda mais cegos estão...
Para correr, correr, correr...
Me aproximar.

Se eu não temesse minha pequenez,
a miudeza em tantos sentidos,
A imensidão das limitações e dos defeitos;
Se eu não temesse o temor...

Eu estenderia à luz do sol poente as imensas asas,
E como nos sonhos fugiria dos fantasmas sem nome;
Iria ao teu encontro, velozmente.
Deitaria você em minhas costas, em penugem macia.

Para que enfim
tudo fique logo para trás, como um dia irá mesmo ficar.
Para que enfim
tudo se consume de fato, como um dia irá mesmo se consumar.
Para que enfim
tudo seja visto do alto e completamente, não mais em fragmentos.

Sem mais silêncio,
Sem mais frio,
Sem mais ausência.
Apenas a ânsia,
Apenas o calor,
Apenas o amor.

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