14 de jul de 2017

Ao reflexo


Ao revés do nada que se era e do nada que se tinha, o espírito costumava inflar com o vento brando e pacífico de julho. Todas as grandes necessidades e falsas miragens, sucumbiam perante uma grandeza intraduzível, desconhecida, que parecia residir planos acima desse andar térreo onde no máximo se pode apenas manter as narinas acima da linha do lamaçal.
Quando o espírito esbarra em seu reflexo nas copas das árvores, nas sombras movediças pelo solo, sentia-se por si mesmo um amor etéreo, quase intangível, acetinado, que logo se dissipava, mas que por sua genuinidade e pureza deixava por entre os dedos resquícios de bons aromas e boas memórias.
Preciso que você saiba que eu ainda vejo você. Que eu sei. Que eu sinto o homem e o menino, o serafim e o demônio, e a todos rendo as graças do meu amor, como a todos o vento acaricia.
Não é vergonhosa a valsa entre suas claridades e escuridões, são belas as faíscas que se desprendem do seu coração, e eu não esquecerei disso.
O que veem, se veem, o que sentem ou supõem, jã não deve ter peso.
Entenda eu, eu sim, verdadeiramente, amo você.

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