Às vezes após as tempestades
O ar se preenche de um perfume peculiar
Igual ao que pairava
Aos arredores daqueles velhos parques de diversões da infância
E por um micro espaço de tempo
Abrem-se as portas e janelas desse quarto sufocante
Em que a realidade nos aprisiona
As palavras então deslizam rua abaixo
Como as águas purificantes
Palavras não observadas
Ignoradas
Mas ainda quase belas
Como as dos leves dias de outrora
Sei que como os relâmpagos distantes
A vida promete estações mais cruéis que esta
E eu me vejo lá sem outra mão
Sem outro sorriso
E dói
Mas hoje há essa atmosfera limpa
Uma canção bonita sobre saudade
Um último fio de esperança
Sustentado pelos sonhos infantis
Que ainda resistem.
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