19 de set de 2016

A poesia é eterna


Nunca fui ou tive a pretensão de ser escritor. E ainda que desejasse muito, certamente me faltaria o dom para tanto. O que sei é sentir. Disso nasceram lampejos poéticos, sendo generoso comigo mesmo; e quanto mais senti, mais necessidade de expressão eu tive. Por quê? Eu nunca soube. 
Sempre fui consciente de que o que eu dissesse não alteraria a realidade das coisas, e talvez não fosse mesmo esta a intenção. Talvez tudo tenha sido uma forma de protesto. Uma forma de provar meu contentamento e descontentamento, ainda que a ninguém isso fosse relevante. Uma forma de descrever o sabor da vida e suas nuances.
Qual a importância que isso teria para o mundo? Nenhuma, provavelmente.
Ainda assim insisti, palavra após palavra, verso após verso, documentando os raros momentos intensos de uma vida ordinária.
Com isso, cheguei ao meu décimo livro de poemas: “Penumbra”. De certa forma, o capítulo final de um processo iniciado em 2010 com “Em meu Jardim Secreto...”. Uma longa viagem através de sensações, observações e sentimentos.
A lição que este processo deixa é: não existe vida sem poesia.
Conheci o amor e seu desespero, o encanto e a desilusão, a esperança e a incredulidade; mas quando eu olhava os galhos do salgueiro dançando na brisa, todas as vozes silenciavam, e o Belo de todas as coisas voltava ao meu coração, como uma chama que nunca se extingue...
Tudo pode ser fugaz e inconstante, menos a poesia.
A poesia é eterna.

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