O sol nasceu já era meio dia.
E esse calor tardio é o mais próximo de um abraço em dias, ou séculos.
E isso é apenas meu dedo traçando mensagens em códigos tolos sobre a areia, segundos antes de ondas suaves tudo levar.
E é apenas uma forma de novamente urrar de lábios selados, de rogar socorro a fantasmas frios e acariciar as cicatrizes das batalhas que venci, ou que perdi, não recordo bem.
Ainda é cedo, dizem, mas eu já ouço a cantiga do tempo. . .
Um ruído ininterrupto que quase se sobrepõe às melodias adocicadas dos tempos dourados.
Ainda é cedo, insistem, mas ao redor daquelas memórias ternas; os joelhos na estrada de terra, um anel prateado, dois sorrisos; já há uma bruma escura e densa de esquecimento.
Todas as vozes que sobraram confundem verdades e mentiras em seus discursos intermitentes.
É um cenário intrigante... a realidade:
Às vezes eufórico, quase sempre cansativo.
Esses fragmentos de encanto, esses sopros de esperança, essas pequenas belezas que desabrocham como flores azuis, são o alimento pouco nutritivo para o espírito que já degustou nuances do paraíso.
Mas então veja: as ondas já vêm para levar meus rabiscos novamente.
Antes delas chegarem eu vejo o vento começar a desfolhar as árvores e com o olhar pausado em um horizonte próximo demais eu tenho a certeza de que hoje pertenço a outro lugar. Mesmo que não outro lugar físico, mas outro estado de alma, outro destino.
Então o oceano das horas engole meus devaneios, dissolve as lamúrias e cores junto ao seu sal infinito...
Um dia eu entenderei que, na verdade, o oceano sou eu.
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